Custo do transporte no Brasil, por que pagamos tanto ?

Publicado em 19 de janeiro de 2022. Normas, alíquotas e prazos citados podem ter mudado desde então. Para o caso da sua empresa, fale com a Arquivo.
A logística é um dos grandes desafios no país. É inquestionável que todos os produtos utilizados no nosso dia a dia passaram por um dos principais modais de transporte. Na atualidade, a diversificação dos ativos direcionados ao cumprimento das demandas de transporte é grande. Mas, por que o aumento do preço do combustível afeta tanto o transporte no Brasil?
A logística possui uma participação considerável na estrutura de custos das empresas, principalmente o custo com o transporte, isso aumenta a importância de analisar a melhor maneira de realizar a movimentação de cargas. De acordo com o LPI (Índice de Desenvolvimento Logístico), a logística é o terceiro maior setor econômico da Alemanha, e não apenas pela localização geográfica no coração da Europa, já que o país também ocupa a liderança internacional em termos de qualidade de infraestrutura e tecnologia de logística.
Mais da metade dos serviços da Alemanha acontecem por meio de um bom planejamento, controle e implementação nas empresas, além do país europeu possuir uma infraestrutura rodoviária de excelência, identificada como uma das melhores do mundo.
Apesar deste tipo de transporte ser o mais conhecido no Brasil, normalmente utilizados por companhias cujas rotinas de operação se restringem a ações recorrentes, o alto custo respinga no aumento do preço final dos produtos e, consequentemente de forma negativa, no caixa das empresas.
O Brasil apresenta uma densa rede de drenagem, com a maior concentração de trechos viáveis para o transporte hidroviário na região Norte do país, onde há a ocorrência de rios caudalosos e de planície.
Ao todo, a malha hidroviária do Brasil possui 42 mil km e permitem que o transporte aquaviário também apresente vantagens nas regiões Sudeste e Sul.
Apesar de fazer conexões com outros modais, facilitando o escoamento dessas mercadorias para o exterior, o transporte aquaviário é menos utilizado em comparação às rodovias e ferrovias, e seu emprego está associado ao transporte intermodal, quando há a integração de dois ou mais modais de transporte.
No entanto, a parte continental do país ainda registra problemas com a distância das sedes de distribuições das companhias, atrelada ao aumento do valor do combustível.
Atualmente, a maior parte das cargas no Brasil é levada em caminhões, consequência de uma opção feita pelo governo brasileiro na década de 1950, que incentivou o transporte por automóveis, deixando de lado os trens.
Em março deste ano, a ANTT registrou um salto de 30,1% na produção de transporte ferroviário na comparação com o mesmo período do ano passado. O maior crescimento ocorreu no total de toneladas transportadas de granéis agrícolas (+53%), combustíveis (+ 42%) e granéis minerais (+ 24,6%).
Os combustíveis são parte decisiva da estrutura de custos das transportadoras em todos os modais. Por serem custos variáveis – ou seja, por terem seu consumo vinculado ao número de viagens realizadas –, seu mercado é diretamente influenciado pela atividade transportadora em um determinado período. A alta do diesel está comprometendo a rentabilidade de caminhoneiros autônomos e transportadoras e, para reduzir os impactos dos reajustes nos preços, empresários do setor estão focando a gestão e em alternativas ao óleo.
O diesel representa 46,08% dos custos diretos do transporte. Assim, a alta do combustível afeta tanto o transporte de passageiros quanto o de carga. Como resultado, quando o preço sobe, todos os produtos tendem a ficar mais caros.
O investimento na produção e desenvolvimento de novas soluções são alternativas imediatas para frear os gastos. Além disso, há a questão dos impostos. Ou seja, além do custo de produção e distribuição, no preço dos combustíveis estão embutidos o ICMS (estadual), a Cide e o PIS/Pasep Cofins (federais).
Para exportar ou importar qualquer mercadoria é preciso conhecer os prós e contras dos modais de transporte a fim de elaborar uma estratégia assertiva para otimizar custos e planejar percursos, armazenamento e prazos.
O modal Ferroviário é classificado como uma excelente opção para transportar cargas de grande volume e que normalmente se deslocam por grandes distâncias. No entanto, ele não possui a mesma versatilidade de rota. Um dos grandes benefícios deste modal é sua baixa estrutura de custos em decorrência da incidência menor de taxas, sendo ideal para transportar produtos em larga escala.
As grandes companhias que buscam agilidade, operam com o transporte aéreo por possibilitar rapidez em grandes distâncias ou dentro do próprio território. O ponto negativo são algumas limitações quanto ao volume de carga, peso, quantidade e tamanho. Além de necessitar da operação de outro modal para finalizar a entrega, o transporte aéreo é o que possui o custo mais elevado.
O transporte dutoviário é viabilizado pela gravidade ou pressão estimulada. Ele ocorre por meio subterrâneo, através de dutos e tubos e permite o transporte entre longas distâncias de gases, alguns fluídos, sólidos granulares e líquidos.
Os custos iniciais para a implementação das operações deste modal são os mais altos dentre as demais possibilidades de transporte, principalmente em termos comparativos.
O custo de transporte pode ser, inicialmente, dividido em Custo Direto e Custo Indireto. No Brasil, podemos classificar os Custos com aqueles que estão diretamente relacionados com a operação de transporte, por exemplo: motoristas, combustível e custo de capital de veículos. Os Custos Indiretos são despesas relacionadas à organização como setores de contabilidade, de vendas e de recursos humanos. Além da divisão anterior, vale lembrar que os custos também podem ser segmentados em Custos Fixos e Custos Variáveis. Os Custos Fixos dizem respeito a todos os itens que não se alteram por causa do aumento da produção, como o custo do capital, do seguro, o custo com a folha de pagamento. Os Custos variáveis correspondem aos itens que variam por causa do aumento de produção, como o combustível, os pneus e as horas extras.
No modal ferroviário temos um baixo custo de frete em relação ao modal rodoviário. Em contrapartida, o modal ferroviário apresenta custos fixos muito altos por causa do custo de capital investido em via permanente, em material rodante, em equipamentos, em pátios, em terminais e em seguros, que são obrigatórios pelos contratos de concessão. O mais custo do modal rodoviário é o de capital para a compra do veículo rodoviário.
Na questão fluvial, os custos fixos são considerados de médios a altos, os principais custos de capital desse modal são os empurradores e as barcaças. O modal dutoviário apresenta o custo de transporte mais baixo. O custo fixo é um dos mais elevados por causa dos direitos de acesso, de construção, de requisitos para controles das estações e da capacidade de bombeamento.
Diante de tantas opções, é fundamental que a companhia esteja bem assessorada por uma contabilidade capaz de planejar e elaborar a melhor maneira de reduzir custos, obtendo o melhor resultado, alinhado aos prazos e verbas.



